Arashiyama sofre com vandalismo e superlotação: entenda a polêmica

O Japão recebe milhões de visitantes todos os anos, e nos últimos meses o país tem enfrentado uma nova onda de turismo pós-pandemia. Embora isso seja positivo para a economia, o fluxo exagerado de turistas tem causado impactos sérios em cidades históricas, pontos naturais e bairros residenciais. Um dos casos mais recentes aconteceu em Kyoto, onde parte do famoso bambuzal de Arashiyama precisou ser cortado para conter uma onda de vandalismo.

Corte emergencial do bambuzal

Na quarta-feira, uma ação conjunta entre a prefeitura de Kyoto e uma organização local removeu cerca de 20 pés de bambu das margens do caminho mais famoso do bosque. A razão? O local sofreu um aumento preocupante de grafites entalhados no bambu, gesto que, embora pareça inofensivo para alguns turistas, danifica a planta, prejudica a saúde do bambu e compromete a paisagem, um patrimônio histórico e cultural.

Em outubro, um levantamento da prefeitura identificou cerca de 350 bambus danificados por inscrições e entalhes deixados por visitantes. Para tentar conter essa prática, moradores locais têm colocado fitas sobre os grafites e espalhado avisos em quatro idiomas, incluindo japonês.

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Locais como Fushimi Inari, Monte Fuji e Kamikōchi sofrem com:

  • lixo espalhado,
  • trilhas desgastadas,
  • pichações

A capacidade de carga desses lugares já ultrapassou o limite em vários períodos do ano.

Desrespeito às regras culturais

A pressa por fotos “instagramáveis” tem levado turistas a ignorarem placas, limites de acesso e até áreas sagradas. Em Gion, bairro tradicional de Kyoto, moradores sofreram invasões de propriedade e excesso de fotografias, o que levou a prefeitura a proibir fotos em algumas ruas.

Um dos efeitos mais visíveis do turismo desinfreado no Japão é a superlotação das ruas e dos sistemas de transporte. Cidades como Osaka, Kyoto e Tóquio, que já são naturalmente movimentadas, têm enfrentado congestionamentos intensos, além de filas quilométricas em pontos turísticos, ônibus e estações de trem.

Para os moradores, isso representa uma dificuldade real no dia a dia: muitas vezes, se deslocar para o trabalho ou levar os filhos para a escola se torna um desafio, pois os meios de transporte ficam saturados por visitantes que desconhecem a rotina local ou não seguem a dinâmica do fluxo japonês. A sensação generalizada é de que os espaços urbanos estão cada vez menos acessíveis para quem vive ali.

O turismo é vital para a economia japonesa, mas quando cresce sem limites, traz prejuízos ambientais, sociais e culturais. O caso recente do bambuzal de Arashiyama é um alerta claro: o Japão precisa equilibrar a hospitalidade com a preservação.

E nós, temos papel fundamental em garantir que esses lugares continuem existindo para as próximas gerações.

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Redação Trabalhos
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