Educação como território de pertencimento

Taiyo Corporation promove, em Ibaraki, o 1º Fórum de Educação dedicado às crianças estrangeiras no Japão

A Taiyo Corporation realizou no último final de semana, no dia 4 de outubro, o 1º Fórum de Educação, um encontro inédito que reuniu pesquisadores, educadores, gestores, intérpretes e jovens para discutir os desafios e caminhos da educação de crianças estrangeiras no Japão. O evento foi realizado no Centro de Educação Continuada da Cidade de Joso, em Ibaraki, e marcou um passo importante no compromisso da empresa com a inclusão social e o desenvolvimento humano.

Com o tema “Educação como território de pertencimento”, o Fórum propôs um debate que foi além das políticas públicas e métodos pedagógicos, abrindo espaço para reflexões sobre identidade, bilinguismo e o papel das empresas e da sociedade na construção de um país mais plural.

Márcia Kishi CEO da Taiyo Corporation

Na abertura, Márcia Kishi, CEO da Taiyo Corporation, ressaltou que a origem do Fórum está no cotidiano das famílias que a empresa acompanha há quase três décadas. “A Taiyo não emprega apenas pessoas. Acompanha famílias que escolheram o Japão como lar e que enfrentam o desafio da adaptação cultural e linguística. Cuidar de pessoas é também cuidar da educação de seus filhos”, afirmou.

Segundo Márcia, o Fórum nasceu de uma inquietação: o sentimento de ver crianças entre sistemas escolares que não as compreendem e pais que, muitas vezes, não sabem como orientá-las. “Há um elo invisível entre o emprego, o idioma e a dignidade. Empresas e instituições não podem se limitar à lógica do trabalho — precisam participar da formação de uma sociedade mais justa e empática”, completou.

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Reflexões sobre pertencimento e políticas públicas

Entre os palestrantes, o sociólogo, pesquisador e professor Angelo Ishi, da Universidade Musashi, destacou que a presença brasileira no Japão é antiga e profunda — e que a invisibilidade estatística reflete desigualdade política. “Se os brasileiros desaparecem dos gráficos, desaparecem também das decisões e das oportunidades”, alertou.

Daisuke Onuki da Universidade Tokai

O professor Daisuke Onuki, da Universidade Tokai, abordou a necessidade de o Estado reconhecer e apoiar formalmente as escolas estrangeiras no país, destacando que “educação obrigatória” deve ser entendida como direito universal, e não restrito a um tipo de instituição. Ele também defendeu políticas que garantam o ensino do idioma japonês sem apagar as línguas e identidades de origem.

Intérprete Hitomi Kira

Já a jovem intérprete Hitomi Kira trouxe o olhar pessoal de quem viveu a transição cultural na adolescência. Com voz serena, relatou sua trajetória entre escolas japonesas e brasileiras e defendeu que “a educação só é verdadeira quando permite que cada aluno conte a própria história”.

De forma online, a pesquisadora Eri Hachiman, do Brasil, lembrou que o desafio maior é o pertencimento: “O idioma da infância é o idioma do afeto. Quando a criança perde essa referência, perde também uma parte de si”.

Doutora Érica Muramoto da Universidade Waseda

A doutora Érica Muramoto, da Universidade Waseda, tratou do conceito de “invisibilidade pedagógica” e da urgência em formar professores para salas de aula multiculturais. “O sistema educacional japonês ainda parte da ideia de que todos os alunos são iguais — e isso é uma perda. A diversidade é riqueza”, disse.

Diego Utiyama CEO da Spotted Recruit

Encerrando o ciclo de palestras, Diego Utiyama, CEO da Spotted Recruit, enfatizou o papel das escolas brasileiras no Japão como “espaços de resistência e sonho” e defendeu a valorização dos jovens bilíngues como ativos para o futuro do país. “Ser bilíngue é como ter duas chaves: uma abre portas no Japão, outra no mundo”, afirmou.

O valor simbólico do encontro

O vice-cônsul do Consulado-Geral do Brasil em Tóquio, Flávio Bastos, encerrou o evento com uma reflexão sobre o papel transformador da educação: “Aprender não termina com o diploma — começa com ele. Estudar é oportunidade, é prazer, é recomeço.”

Entre o público, estavam professores, gestores de escolas brasileiras, intérpretes e famílias de diversas origens. O ambiente bilíngue, entre português e japonês, simbolizou o próprio tema do evento: a convivência entre culturas como força de construção coletiva.

Taiyo Corporation, mais que uma empresa

Fundada há quase 30 anos, a Taiyo Corporation consolidou-se como uma das principais empresas de recursos humanos voltadas à comunidade estrangeira no Japão. Nos últimos anos, a empresa vem ampliando seu papel social, promovendo projetos de educação, cultura e desenvolvimento humano.

O Fórum de Educação é a expressão mais recente dessa visão: uma ponte entre empresas, escolas e comunidades, reafirmando que a inclusão não é um programa, mas uma prática cotidiana — e que o futuro do Japão bilíngue começa com a escuta das vozes que o compõem. “Quando uma criança estrangeira se sente acolhida”, disse Márcia Kishi, “todos nós ganhamos como sociedade.”

Com sede em Ibaraki e atuação nacional, a Taiyo Corporation é referência no recrutamento, formação e integração de trabalhadores estrangeiros no Japão. Fundada em 1996, a empresa oferece suporte em diversas áreas — do trabalho à educação — e tem como missão fortalecer os vínculos humanos entre culturas.

Fotos: Gustavo Semeghini / Nabecast Podcasts & Multimedia

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